Testesolo Engenharia Geotécnica

Ensaios de campo · Cone

Piezocone — CPTu

Cravação estática e contínua de ponteira cônica instrumentada, com registro simultâneo de resistência de ponta, atrito lateral e poropressão a cada centímetro.

Normas de referência
ABGE 110/2024 · ASTM D5778 · ISO 22476-1
Categoria
Ensaios de Campo | Cone
Grandezas medidas
qc · fs · u₂
Intervalo de leitura
1 a 2 cm · cravação a 20 mm/s
01

O ensaio

O CPTu — Cone Penetration Test com medição de poropressão, ou piezocone — consiste na cravação estática e contínua de uma ponteira cônica instrumentada, a uma velocidade padronizada de 20 mm/s. Durante a cravação, sensores registram simultaneamente três grandezas: a resistência de ponta (qc), o atrito lateral na luva (fs) e a poropressão gerada na face do cone (u₂).

Diferente da sondagem SPT — que fornece leituras a cada metro —, o piezocone entrega um perfil praticamente contínuo do subsolo, identificando camadas finas, transições e lentes drenantes que passariam despercebidas.

Cruzando os três canais, o índice I(SBT) classifica cada camada pelo seu comportamento — argila, silte, areia ou solo orgânico — segundo Robertson (2010). O resultado é um perfil estratigráfico contínuo, sem as lacunas da amostragem pontual.

02

Quando é indicado

Sempre que houver solos moles, camadas finas relevantes ou necessidade de parâmetros contínuos. Em solos moles saturados, a leitura de poropressão permite ainda estimar o histórico de tensões, a resistência não drenada e, por meio de ensaios de dissipação, os parâmetros de adensamento.

  • Aterros sobre solos moles — previsão de recalques e prazos de adensamento
  • Obras portuárias e aeroportuárias em planícies costeiras
  • Galpões logísticos e tanques — recalques em terrenos compressíveis
  • Estabilidade de taludes e projetos de fundação em solos compressíveis
03

Procedimento

  1. 01

    Locação e verificação do ponto

    Conferência da locação com base nas coordenadas e plantas fornecidas, marcação do ponto, limpeza da área e verificação de interferências enterradas.

  2. 02

    Montagem e reação

    Posicionamento do sistema hidráulico — sobre caminhão ou unidade em esteiras (crawler) — com reação por hélices ancoradas ao solo. Saturação do elemento poroso e verificação de verticalidade.

  3. 03

    Cravação e leitura contínua

    A ponteira avança a 20 mm/s enquanto as células de carga e o transdutor de poropressão transmitem leituras a cada 1–2 cm para o computador de campo.

  4. 04

    Ensaio de dissipação (quando aplicável)

    Em cota de interesse em solo mole, a cravação é interrompida e mede-se o decaimento da poropressão ao longo do tempo (t₅₀), do qual se obtém o coeficiente de adensamento horizontal (ch).

  5. 05

    Encerramento e fechamento do furo

    O ensaio prossegue até a profundidade especificada ou até a resistência máxima do equipamento; atingida a cota, o furo é preenchido.

  6. 06

    Processamento e revisão de engenharia

    Correção de qc para qt, classificação SBT, curvas de dissipação e leitura interpretada. O registro é revisado por engenheiro geotécnico antes da entrega, dentro do SGQ da Testesolo.

04

O que você recebe

qc → qt

Resistência de ponta

Base para a classificação do comportamento do solo (SBT) e para a estimativa de capacidade de carga.

fs

Atrito lateral

Atrito mobilizado na luva; combinado a qc fornece a razão de atrito (Rf), que distingue solos arenosos de argilosos.

u₂

Poropressão

Identifica camadas drenantes, permite a correção de qc e alimenta o ensaio de dissipação.

Su

Resistência não drenada

Estimada em argilas a partir de qt e fatores de cone (Nkt), calibrados quando há Vane Test ou triaxiais associados.

ch · t₅₀

Adensamento

Coeficiente de adensamento horizontal obtido pela curva de dissipação — parâmetro central para prazos de recalque em aterros.

I(SBT)

Classificação estratigráfica

Perfil contínuo por tipo de comportamento do solo, segundo Robertson (2010).

qt · fs · u₂ a cada 1 cm SBT — Robertson (2010)
Página de relatório de CPTu com os perfis de resistência de ponta corrigida, atrito lateral, poropressão e a classificação estratigráfica em função da profundidade
Página do relatório entregue: os perfis contínuos e a classificação estratigráfica interpretada, lado a lado na mesma escala de profundidade.

O ensaio em movimento

O piezocone descendo pelo furo e os três canais sendo registrados a cada centímetro. Cone de 10 cm² — 35,7 mm de diâmetro, ápice de 60°, luva de atrito de 150 cm² e o filtro u₂ logo atrás do ombro.

qc — resistência de ponta (MPa) fs — atrito lateral (kPa) u₂ — poropressão (kPa)
qc—MPa
fs—kPa
u₂—kPa
profundidade —

Perfil ilustrativo, com valores típicos de um terreno de planície costeira (aterro → argila mole → areia → argila rija → areia densa). Não são dados de uma campanha real: servem para mostrar o que cada canal revela. A aquisição em obra é feita por software dedicado, com certificados de calibração rastreáveis.

Entregável

Perfis contínuos processados (qc, fs, u₂, Rf, qt), classificação estratigráfica interpretada, curvas de dissipação e relatório com leitura de engenharia integrada às sondagens e ao laboratório. Leituras brutas sob demanda.

05

Cuidados e limites

  • O CPTu não coleta amostras. Onde for preciso caracterizar ou ensaiar o material em laboratório, combina-se com amostragem indeformada ou sondagem SPT.
  • Pedregulhos, matacões e solos muito resistentes podem impedir a cravação. Nesses perfis o ensaio se combina com sondagem rotativa ou mista.
  • Parâmetros derivados são correlações. Su e o histórico de tensões dependem de fatores de cone que ganham confiabilidade quando calibrados com Vane Test ou ensaios triaxiais no mesmo perfil.
  • O acesso condiciona a execução. O sistema de reação exige terreno que suporte a ancoragem e passagem do equipamento — o que é verificado na locação.
06

Normas e referências

Não há norma ABNT vigente para o ensaio de cone no Brasil: a ABNT NBR 12069:1991 — Solo: ensaio de penetração de cone in situ (CPT) foi cancelada em julho de 2015, sem indicação de norma substituta.

A referência brasileira atual é a NORMA ABGE 110/2024, publicada pela Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental, que trata das investigações especiais de campo em solos — CPTu, Vane Test e DMT. A execução segue ainda as normas internacionais listadas abaixo.

Referência brasileira

NORMA ABGE 110/2024
Investigações especiais de campo em solos — ensaios CPTu, Vane Test e DMT. 1ª edição. São Paulo: ABGE, 2024.

Normas de execução

ASTM D5778
Standard Test Method for Electronic Friction Cone and Piezocone Penetration Testing of Soils. ASTM International.
ISO 22476-1
Geotechnical investigation and testing — Field testing — Part 1: Electrical cone and piezocone penetration test.

Referência de interpretação

Robertson (2010)
Soil Behaviour Type (SBT) — classificação do comportamento do solo a partir dos canais do piezocone.

Norma cancelada — registro histórico

ABNT NBR 12069:1991
Solo — Ensaio de penetração de cone in situ (CPT) — Método de ensaio. Cancelada em 07/2015, sem norma substituta. Ainda é citada em editais e especificações antigas; quando isso ocorre, a Testesolo aponta a referência vigente equivalente.
07

Perguntas frequentes

Quando usar CPTu em vez de (ou além de) sondagem SPT?

Sempre que houver solos moles, camadas finas relevantes ou necessidade de parâmetros contínuos. O CPTu não substitui o SPT em tudo — não coleta amostras —, mas em perfis compressíveis entrega informação que o SPT não fornece. A combinação dos dois costuma ser a solução de melhor custo-benefício.

O que a medição de poropressão (u₂) acrescenta?

Ela distingue camadas drenantes de impermeáveis, corrige a resistência de ponta (qt) e viabiliza o ensaio de dissipação, do qual se obtém o coeficiente de adensamento — essencial para estimar prazos de recalque.

Qual a diferença entre CPT, CPTu e SCPTu?

O CPT mede ponta e atrito; o CPTu acrescenta a poropressão; o SCPTu adiciona a medição sísmica da velocidade de ondas de cisalhamento (Vs), fornecendo o módulo G₀ para análises de deformabilidade e dinâmica.

Em quais solos o ensaio se aplica?

É indicado em solos moles a médios — argilas, siltes, areias fofas a médias. Em pedregulhos, matacões ou solos muito resistentes a cravação pode ser impedida; nesses casos combina-se com sondagem rotativa ou mista.

Qual a norma do ensaio CPTu no Brasil?

Não há norma ABNT vigente: a NBR 12069, de 1991, foi cancelada em julho de 2015 sem substituta. A referência brasileira atual é a NORMA ABGE 110/2024, que trata das investigações especiais de campo em solos — CPTu, Vane Test e DMT. A execução segue também a ASTM D5778 e a ISO 22476-1. Editais antigos ainda citam a NBR 12069; nesses casos indicamos a referência vigente equivalente.

Que informações enviar para orçar uma campanha?

Localização, tipo de obra, sondagens existentes (se houver), profundidade estimada de interesse e o problema geotécnico a resolver — recalque, estabilidade ou fundações. Com isso indicamos ensaios e quantidades adequadas.

↗

Leia também

→

Serviços relacionados

Orçamento

CPTu para o seu projeto

Descreva o contexto da obra — localização, tipo de obra, sondagens existentes, profundidade de interesse e o problema geotécnico a resolver. Montamos o plano de investigação e a proposta técnica, integrando campo, laboratório e consultoria.

Já é cliente Testesolo? Acesse seus relatórios e o histórico dos serviços executados.

Portal exclusivo com os arquivos dos seus projetos.

Acessar meus relatórios
WhatsApp