Ensaios de campo · DMT
Dilatômetro de Marchetti: rigidez e estratigrafia em um só ensaio
Intervalo de leitura
- Categoria
- Ensaios de Campo | Palheta / dilatômetro
- Normas de referência
- ISO 22476-11 · ASTM D6635 · Marchetti · TC16
- Onde entra
- O solo medido in situ, como ele é — sem amolgamento da amostragem.
Do índice de material ao tipo de solo e sua rigidez
A cada 20 cm de cravação, a lâmina dilatométrica mede as pressões p0 e p1. Delas derivam o índice de material (ID) e o módulo dilatométrico (ED): cruzados na carta de Marchetti, classificam cada camada — de lama/turfa a areia — enquanto quantificam sua deformabilidade.
O resultado é um perfil estratigráfico contínuo já associado a parâmetros de rigidez: base direta para previsão de recalques, empuxos e projeto de fundações e escavações.
Argilas (ID < 0,6) — comportamento coesivo
Siltes (0,6 ≤ ID ≤ 1,8) — comportamento intermediário
Areias (ID > 1,8) — comportamento granular
Lama e/ou turfa — camadas moles de baixa rigidez
ID · ED a cada 20 cm SBTDMT — Marchetti · 9,5 m
Princípio e aplicação
O DMT (Flat Dilatometer Test), desenvolvido por Silvano Marchetti, utiliza uma lâmina plana de aço — 95 mm de largura e 14 mm de espessura — com uma membrana circular de Ø60 mm em uma das faces. A lâmina é cravada estaticamente no terreno e, a cada 20 cm, a cravação é pausada para a expansão da membrana por gás: mede-se a pressão em que ela se descola da face (p0) e a pressão necessária para deslocá-la 1,10 mm contra o solo (p1).
Dessas duas pressões derivam os três índices de Marchetti: ID (índice do material, que identifica o tipo de solo), KD (índice de tensão horizontal, ligado ao histórico de tensões) e ED (módulo dilatométrico). Por ser um ensaio de baixa perturbação — a lâmina desloca muito menos solo que uma ponteira cônica —, o DMT tem repetibilidade notável e é referência mundial para previsão de recalques pelo módulo confinado M.
Aplicações típicas: previsão de recalques em galpões, tanques e aterros; estimativa de OCR e K₀ em argilas; projeto de contenções; controle de melhoramento e compactação de solos.
O ensaio em movimento
Acompanhe o Dilatômetro de Marchetti em detalhe: a lâmina avança em passos de 0,20 m (0,20 · 0,40 · 0,60…) e, em cada cota, o solo pressiona a membrana (sinal sonoro LIGADO), o gás insufla até o descolamento — sinal DESLIGA, leitura A (p0) —, segue até a expansão de 1,10 mm — sinal RELIGA, leitura B (p1) — e esvazia para a leitura C, enquanto os perfis de P0, P1 e P2 se constroem ponto a ponto.
1×
2×
4×
A lâmina fica em primeiro plano, ampliada, e o terreno passa ao fundo — o foco é o deslocamento da membrana na sequência A · B · C de Marchetti. Expansão exagerada; valores ilustrativos. Dimensões fora de escala.
A lâmina fica em primeiro plano, ampliada, e o terreno passa ao fundo — o foco é o deslocamento da membrana na sequência A · B · C de Marchetti. Expansão exagerada; valores ilustrativos. Dimensões fora de escala.
Execução e medições
A lâmina é cravada com o mesmo sistema hidráulico do piezocone — caminhão ou unidade sobre esteiras com reação ancorada — a 20 mm/s. Nas paradas a cada 20 cm, a unidade de controle na superfície pressuriza a membrana com gás e o operador registra as leituras A (p0) e B (p1), sinalizadas por um aviso sonoro.
As pressões são corrigidas pela calibração da rigidez da própria membrana (leituras ΔA e ΔB), e os índices ID, KD e ED são calculados em cada cota. As correlações de Marchetti — validadas por décadas de uso internacional — convertem esses índices em módulo confinado M, OCR, K₀ e resistência não drenada Su em argilas.
Controles do ensaio: membrana e transdutores calibrados com certificados rastreáveis; calibrações ΔA/ΔB antes e depois de cada vertical; velocidade e sequência de leituras padronizadas; registro revisado por engenheiro geotécnico, dentro do SGQ da Testesolo.
Conforme a ISO 22476-11 / ASTM D6635
Índice do material
Classifica o solo (argila, silte, areia) a partir da relação entre p0 e p1 — perfil estratigráfico a cada 20 cm.
Índice de tensão horizontal
Ligado ao histórico de tensões: base das estimativas de OCR e K₀ em argilas, com sensibilidade que poucos ensaios têm.
Módulo dilatométrico
ED = 34,7·(p1 − p0). Combinado a ID e KD, fornece o módulo confinado M para previsão de recalques.
Resistência não drenada
Estimada em argilas pela correlação de Marchetti com KD — comparável ao Vane Test em depósitos moles.
Entregável
Perfis de p0, p1, ID, KD, ED e M por profundidade, estimativas de OCR/K₀/Su quando aplicáveis e relatório com leitura de engenharia integrada às demais investigações. Leituras brutas sob demanda.
DMT com interpretação de engenharia
Recalque com base experimental
O módulo M do DMT é referência internacional para previsão de recalques — medido, não estimado por correlações com NSPT.
Programa combinado
DMT ao lado de CPTu e sondagens: estratigrafia contínua + rigidez + histórico de tensões na mesma campanha.
Baixa perturbação
A lâmina desloca pouco solo — repetibilidade notável e sensibilidade ao histórico de tensões que o cone não tem.
Equipe que projeta
Quem executa e interpreta também projeta fundações e contenções — entregamos o parâmetro no formato que o projeto usa.
Perguntas frequentes sobre o DMT
O que o DMT mede?
As pressões p0 e p1 de expansão de uma membrana contra o solo, a cada 20 cm. Delas derivam os índices ID, KD e ED e, por correlações consagradas, o módulo confinado M, OCR, K₀ e Su em argilas.
Qual a diferença entre DMT e CPTu?
O CPTu mede resistência de forma contínua; o DMT mede rigidez e histórico de tensões com baixa perturbação. Para previsão de recalques e estimativa de K₀, o DMT é superior; para estratigrafia contínua, o CPTu. Juntos, cobrem o problema por completo.
Em quais solos o ensaio se aplica?
De argilas moles a areias — a lâmina precisa penetrar por cravação estática. Em pedregulhos e solos muito resistentes o ensaio não se aplica.
Por que o DMT é bom para recalques?
Porque mede uma deformação real do solo (1,10 mm) em uma direção conhecida e com perturbação mínima. O módulo M resultante alimenta o método de Marchetti–Schmertmann de previsão de recalques, validado em décadas de casos instrumentados.
Que informações enviar para orçar uma campanha?
Localização, tipo de obra, sondagens existentes, profundidade de interesse e o problema geotécnico — recalque, contenção, melhoramento. Com isso indicamos verticais e profundidades.
Normas e referências
- ISO 22476-11
- Flat Dilatometer Test
- ASTM D6635
- Flat Plate Dilatometer
- Marchetti DMT
- site oficial
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