Ensaios de Campo · Serviço
Vane Test — a resistência da argila mole medida onde ela está
O ensaio de referência para a resistência não drenada (Su) de argilas moles saturadas: palheta cruciforme cravada no terreno e rotacionada até a ruptura, com medição direta do pico, do residual e da sensibilidade.
- Categoria
- Ensaios de Campo | Palheta / dilatômetro
- Normas de referência
- NBR 10905 · tipo A · ASTM D2573 · ISO 22476-9
- Onde entra
- O solo medido in situ, como ele é — sem amolgamento da amostragem.
Princípio e aplicação
O Vane Test (ensaio de palheta) determina a resistência ao cisalhamento não drenada (Su) de solos argilosos saturados na condição in situ. Uma palheta de seção cruciforme é cravada no terreno e submetida, por rotação, ao torque necessário para cisalhar o cilindro de solo ao seu redor — a medida mais direta de Su que a geotecnia de campo oferece.
A Testesolo executa o ensaio do tipo A da ABNT NBR 10905: cravação estática do conjunto a partir da superfície, com a palheta protegida por uma sapata durante a descida. Pouco antes da cota do ensaio, hastes internas posicionam a palheta 0,50 m abaixo do conjunto, onde a rotação é realizada em solo minimamente perturbado.
Aplicações típicas: aterros sobre solos moles, barragens e diques, barragens de rejeito, obras portuárias e de dragagem, rodovias em baixadas litorâneas e análises de estabilidade de taludes em argila.
O ensaio em movimento
Acompanhe as cinco fases do ensaio tipo A: cravação protegida pela sapata, avanço de 0,50 m, cisalhamento com a curva torque × rotação crescendo até o pico (Su), as dez revoluções de amolgamento e a medida do residual — que fecha com a sensibilidade St da argila.
1×
2×
4×
Rotação real de 0,1°/s, acelerada na animação. Dimensões fora de escala; valores ilustrativos de argila marinha muito mole (palheta 65 × 130 mm, Su = 6T/(7πD³)).
Rotação real de 0,1°/s, acelerada na animação. Dimensões fora de escala; valores ilustrativos de argila marinha muito mole (palheta 65 × 130 mm, Su = 6T/(7πD³)).
Execução e medições
A rotação da palheta é aplicada com velocidade padronizada de 0,1°/s e o torque é registrado continuamente, gerando em tempo real a curva torque × rotação. O torque máximo fornece a resistência não drenada na condição praticamente indeformada.
Em seguida, a palheta executa dez revoluções completas e mede-se o torque residual, que fornece a resistência não drenada amolgada. A razão entre os dois valores é a sensibilidade St da argila — parâmetro essencial para avaliar a perda de resistência por perturbação em aterros, dragagens e rejeitos.
Controles do ensaio: palheta e medidor de torque calibrados com certificados rastreáveis; correção do atrito das hastes; ensaio abaixo da zona perturbada pela cravação; velocidade de rotação padronizada; registro revisado por engenheiro geotécnico antes da entrega, dentro do SGQ da Testesolo.
Conforme a NBR 10905 (tipo A)
Resistência de pico
Resistência não drenada indeformada, calculada a partir do torque máximo da curva torque × rotação.
Resistência amolgada
Resistência não drenada residual, medida após dez revoluções completas da palheta.
Sensibilidade
Razão entre a resistência de pico e a amolgada — indica quanto a argila perde de resistência quando perturbada.
Correção de projeto
Fator de Bjerrum em função do índice de plasticidade, aplicado ao Su do ensaio para uso em análises de estabilidade.
Entregável
Gráficos e tabelas com Su indeformada, Su amolgada e sensibilidade por profundidade, curvas torque × rotação e comparativos entre verticais; leituras brutas sob demanda. Relatório revisado por engenheiro geotécnico.
Vane Test com interpretação de engenharia
Calibração do CPTu
O Su do vane ancora o fator de cone Nkt, transformando o perfil contínuo do piezocone em perfil contínuo de resistência.
Sensibilidade a serviço do projeto
St medida, não estimada — insumo direto para análises de ruptura progressiva, dragagem e rejeitos.
Integração com laboratório
Resultados confrontados com triaxiais UU e adensamento das mesmas verticais, para parâmetros consistentes.
Equipe que projeta
Quem executa e interpreta também atua em projetos de aterros sobre solos moles — entregamos o Su que a análise de estabilidade precisa.
Perguntas frequentes sobre o Vane Test
O que o Vane Test mede?
A resistência ao cisalhamento não drenada (Su) de argilas moles saturadas, medida diretamente no terreno — incluindo o valor de pico, o valor amolgado após dez revoluções e a sensibilidade St da argila.
O Vane Test substitui o CPTu?
Não — eles se complementam. O CPTu entrega o perfil contínuo; o vane entrega a medida direta de Su em cotas específicas. Usados juntos, o vane calibra o fator Nkt do piezocone, e o resultado é um perfil contínuo de resistência com base experimental.
Em quais solos o ensaio se aplica?
Em argilas e siltes argilosos moles a médios, saturados, sem lentes de areia significativas — tipicamente depósitos costeiros, várzeas e fundos de reservatórios. Em solos arenosos ou rijos o ensaio não é aplicável.
Por que o Su do vane precisa ser corrigido?
A velocidade do ensaio e a anisotropia da argila fazem o Su medido diferir do mobilizado em rupturas reais. Aplica-se o fator de correção de Bjerrum (μ), função do índice de plasticidade, antes do uso em análises de estabilidade.
Que informações enviar para orçar uma campanha?
Localização, tipo de obra, sondagens ou CPTu existentes, espessura estimada da camada mole e as cotas de interesse. Com isso indicamos o número de verticais e de ensaios por vertical.
Normas e referências
- ABNT NBR 10905
- Ensaio de palheta in situ
- ASTM D2573
- Field Vane Shear Test
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